
Modelos híbridos de posse e regularização digital representam o reconhecimento de que a realidade habitacional brasileira não é binária (posse vs. propriedade), mas inclui múltiplas formas de acesso à moradia que precisam ser reconhecidas, protegidas e, quando possível, regularizadas. Este sistema integra múltiplas dimensões: ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) como instrumentos do Estatuto da Cidade que destinam áreas específicas para habitação social e regularização de assentamentos informais, permitindo flexibilização de parâmetros urbanísticos e proteção de áreas ocupadas; usucapião como processo jurídico que permite aquisição de propriedade através de posse prolongada, contínua e pacífica, oferecendo caminho de titulação através de processos judiciais; titulação progressiva como modelo que concede direitos parciais e incrementais antes da propriedade plena, incluindo certificados de posse, contratos de concessão de uso e títulos provisórios; regularização fundiária digital com uso de geotecnologias e IA (drones, sensoriamento remoto) para mapear assentamentos informais e agilizar processos jurídicos de titulação; e posse vs. propriedade como realidade habitacional onde milhões de famílias vivem em situação de posse sem título de propriedade, afetando acesso a crédito e investimentos.
No Brasil, especialmente em periferias urbanas e áreas rurais, esses modelos são essenciais para integrar assentamentos informais ao planejamento urbano formal, regularizar ocupações consolidadas e garantir direito à cidade. A tecnologia está sendo utilizada em programas de regularização fundiária (Reurb), especialmente relevante onde grandes áreas informais precisam ser regularizadas e processos tradicionais são lentos e caros.
O sinal de mudança é estrutural: no futuro, esses modelos não existem em isolamento, mas formam um sistema integrado que reconhece e trabalha com a realidade de posse vs. propriedade, oferecendo múltiplos caminhos para segurança jurídica. Isso desafia modelos formais de titulação que assumem propriedade formal como única forma legítima, exigindo políticas e tecnologias que reconheçam e apoiem modelos híbridos, especialmente relevante onde segurança jurídica é pré-requisito para investimentos e acesso a serviços, mas propriedade formal completa pode ser processo longo ou inacessível.
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